quinta-feira, 9 de junho de 2016

A despedida nunca é fácil

Estive distante novamente, pra variar sem ânimo pra escrever sobre os temas complicadinhos que eu costumo gostar de abordar (que aguardam sua vez em uma listinha que faço dos assuntos interessantes que penso serem muito válidos pra colocar aqui). Meu último post aqui foi sobre o Holistipet, dia 16 de Abril. Pois é, aí fiquei doente (com chikungunya) bem na semana do Holistipet, nem consegui acompanhar todo o Congresso conforme gostaria, mas como fica tudo disponível online, não perdi nada!! Fica aqui a dica pra quem perdeu: é possível comprar ingresso e ter acesso a todo o conteúdo, vale a pena!

Hoje não vou falar sobre nada complicado, mas sobre algo difícil por ser doloroso. Há quem pense que a gente que tem muitos cães, não sente quando partem, ou que sentimos menos. Sabe que eu até gostaria de ter certa frieza pra não sofrer nem chorar, mas acho que se alguém chega a esse ponto, sequer merece ter um animal de estimação. Eu tenho cães porque os amo. Sou completamente apaixonada por eles e quero o melhor pra cada um. Acho que nunca vou me "acostumar" com a despedida, e acho que assim é melhor, pois é sinal de que eu continuo amando-os infinitamente.

Hoje às 3 horas da manhã eu chorava como choro agora. Hoje a Farah (Brenda von der Nahmisté) morreu. Ela foi a Pastor Alemão mais doce que eu já tive, e arrisco dizer que foi a pastora que mais gostava de mim (e acho que por isso eu gostava tanto dela, minha "Farofa" ou "Farofí-Farofá").
Não foi inesperado, não me pegou de surpresa, mas dói. De certa forma sinto alívio por ela e pela homeopatia terem me dado o privilégio de não vê-la sofrer quase. Isso é uma bênção.
Ela já vinha mostrando sinais de senilidade, como fraqueza e pouca atividade, mas estava bem. A fraqueza se intensificou nos últimos dias e passava mais tempo deitada. Até anteontem comeu normalmente e se levantava. Ontem ela ficou realmente ruim, não se levantou, não quis comer, não quis beber água, só me olhava. O olhar aflito deu lugar a um olhar sereno logo após medicá-la (com homeopatia, sem stress, sem picadas, sem dor), e isso me confortou muito. Passou o dia quieta, calma, deitadinha. Sabíamos que a hora dela partir estava próxima, que a energia vital dela estava quase acabando. E de madrugada ela se foi. Descanse em paz.


sábado, 16 de abril de 2016

Holistipet - Congresso online sobre cuidados naturais para pets, acessível a todos!

Hoje vim apenas para fazer uma recomendação:

se inscrevam, assistam e participem do HOLISTIPET!

Começa na próxima terça-feira, dia 19 de Abril de 2016


Já faz algum tempo que trato meus cães de forma mais natureba: dou comida caseira balanceada (desde Agosto de 2004) e sempre prefiro tratamentos mais naturais e menos agressivos, além de praticar protocolos vacinais individualizados.
O resultado é visível: mais saúde e resistência a doenças, além de recuperação muito mais rápida quando algo acontece. Me importo muito com qualidade de vida e manutenção de uma boa saúde, e o manejo mais natural dos meus bichos vem me mostrando uma enorme (e positiva) diferença nesses quesitos.

O Holistipet terá palestras ministradas por profissionais que eu admiro e respeito. É por isso que eu me inscrevi logo que abriram as inscrições, e recomendo a todos os proprietários, criadores e veterinários. Afinal, SEMPRE temos algo a aprender!

Mesmo que você não seja familiarizado com esse universo holístico, que tal dar uma chance para aprender coisas novas e enxergar saúde e bem-estar animal por outra perspectiva?

O Holistipet é um congresso online sobre medicina integrativa e cuidados holísticos para cães e gatos, aberto ao público em geral (inclusive proprietários e criadores). A inscrição custa 200 reais. Pode parecer muito dinheiro, mas não é, pois é muito conhecimento e aprendizado!!! São mais de 25 palestras, com 22 palestrantes, em 7 dias de evento. Após cada palestra haverá chat online ao vivo para tirar dúvidas ou fazer mais perguntas. E se você não puder assistir alguma palestra, pode ficar tranquilo, pois as palestras ficarão disponíveis e você poderá assistir quantas vezes quiser e quando quiser, no período de 1 ano.

Para conhecer os palestrantes, visite essa página:

Para ver a programação, aqui:


Obs: Não, eu não estou ganhando nada, nem minha inscrição, para fazer essa propaganda. Estou divulgando porque realmente acredito que o Holistipet será imperdível e trará muito conhecimento, capaz de mudar para melhor a vida de muitos cães e gatos.

terça-feira, 12 de abril de 2016

A verdade sobre o "adestramento 100% positivo"

Sem inspiração pra escrever muito, nem traduzir longos textos (estou com vários posts e assuntos em rascunho, mas não estão saindo por causa disso... desculpem), então hoje irei apenas deixar um vídeo de 50 minutos e um texto, ambos em inglês, para aqueles que dominam o idioma (quem não domina consegue entender e acompanhar também, com boa vontade, usando a pausa do vídeo e com a ajuda de um tradutor, certamente dá pra captar a mensagem). O título dessa postagem é o mesmo título do vídeo.

É um tema polêmico (pra variar) sobre o qual eu tenho vontade de falar quase sempre, mas é extremamente complicado e delicado de abordar quando a conversa é com alguém que não foi educado a usar adequadamente todas as ferramentas de treinamento disponíveis, e principalmente que se deixa levar pelo marketing mentiroso de muitos adestradores "positivistas".

O vídeo e texto abordam exatamente isso, como esse slogan do positivismo muitas vezes é mentiroso e o quão perigoso pode ser quando aplicado por pessoas despreparadas.

Eu (e tantos excelentes treinadores que conheço) uso tanto reforço positivo quanto, ou se bobear até mais que muito "positivista" que já vi por aí. E muitos que se autointitulam positivistas usam tanta punição positiva quanto, ou até mais, que os demais, como o vídeo abaixo mostra claramente.

O que acontece é que manipulam todo um discurso de forma a associar a punição positiva a abuso / força / brutalidade (são coisas completamente diferentes!!!) e também (especialmente) a determinados equipamentos de treino que usamos. Mas a grande verdade é que abusar (no sentido de maltratar) não depende de equipamento nenhum, mas sim de intenção/vontade (e caráter, claro).
O colar eletrônico é um belo exemplo disso. Um equipamento altamente versátil e extremamente eficiente seja pra excitar, como marcador de comportamentos desejados (siiim, marcador de comportamentos desejados, sem murchar o cão, pelo contrário!), ou pra corrigir de forma clara e pontual (sem qualquer dano e geralmente com muito menos stress do que de outras formas), mas que normalmente tem seu uso associado exclusivamente a punição no sentido de abuso (punição dolorosa, cruel), o que só vai acontecer se o operador do equipamento tiver más intenções mesmo. Tem gente que é totalmente contra o colar eletrônico, mas que faz uso de golpes físicos para punir excessivamente (abusar). Já vi "treinadores" perderem a cabeça e aplicarem punições totalmente descabidas e desproporcionais com os mais variados equipamentos e sem nenhum, mas sim com as próprias mãos e pés. Portanto, assim como o estímulo, a punição ou até o abuso podem vir através de um colar, o estímulo, punição ou abuso também podem vir diretamente pelas mãos, sem o uso de equipamentos... depende apenas da vontade de quem está trabalhando/treinando aquele cão.

Como EU, na minha "santa ignorância", já estive do lado de lá, criticando o uso de equipamentos que eu NÃO CONHECIA DE VERDADE (quando conhecia, só conhecia o MAU USO deles), sei que não adianta discutir e muito menos empurrar goela abaixo coisas que só o interesse em aprender, a vivência e o conhecimento nos ensinam. Como fazer pra quebrar pré-conceitos eu não sei, mas o interesse em aprender quase sempre se molda e limita conforme os nossos pré-conceitos.... e se não há interesse, não haverá aprendizado. Mas eu espero, de coração, que todos possam aprender, cada um no seu tempo, a usar adequadamente o equipamento ou técnica que forem mais adequados a cada caso, e a trabalhar qualquer cão, de qualquer temperamento e idade, estragado ou não, sem lhe causar danos (muito menos a morte ou indicação a eutanásia) e sem colocar pessoas em risco.

O texto que complementa o que mostra o vídeo está nesse link:
https://www.dogtraining.world/criminal-acts-positive-dog-training-community/

E o vídeo:

domingo, 27 de março de 2016

Cães de trabalho e linhagens (exposição x trabalho)

Eu falhei (não escrevi no blog semana passada!), mas voltei. Já aviso que vou escrever de um jeito informal, pra tentar me fazer entender da melhor forma possível.

Pra variar, na correria, decidi o tema de última hora. Mais uma vez me deparo com anúncio de venda de filhote (no caso era de Dobermann) com a descrição contendo "linhagem de trabalho", sendo que tudo indica que a linhagem nesse caso era 100% show / exposição. Eu cheguei a perguntar, na publicação, se era mesmo linha de trabalho e quem eram os avós (pra quem conhece bem pedigrees e nomes de canis, geralmente fica fácil saber qual a linhagem pelos nomes de registro), mas a pessoa simplesmente deletou meu comentário, sem responder. Então só me resta concluir que não se tratava de engano ou confusão, mas de propaganda enganosa, não é mesmo?

É relativamente comum as pessoas se enganarem ou se confundirem com os nomes dados às linhagens, quando se baseiam somente em verificar títulos. Há quem acredite que ter título de trabalho é sinônimo de ser de linhagem de trabalho, e que ter título de beleza / exposição é sinônimo de ser de linhagem de exposição. ERRADO!!! 

Quando falamos de determinada linhagem ou linha de sangue, nos referimos à genética / pedigree / árvore genealógica daquele exemplar, mais especificamente sobre o foco de seleção ao qual a genética daquele indivíduo foi submetida, e não quanto às suas habilidades.

Qualquer pessoa que tem um cão que treina ou compete em provas de trabalho, pode dizer que tem um cão de trabalho, mas linha de sangue / linhagem de trabalho são outros 500 (depende da árvore genealógica / genética daquele indivíduo).

Devido à seleção na criação, as raças acabam tendo uma separação de "tipos", e em diversas raças de cães existem distintas linhagens de show / exposição e linhagens de trabalho. O que significa isso?
Uma vertente se preocupa prioritariamente com a aparência / estrutura (por exemplo: cor da pelagem, angulações, profundidade do peito, etc.), com o objetivo principal de vencer exposições de beleza e conformação, e a outra vertente se preocupa prioritariamente com o caráter / temperamento, no sentido de possuir habilidades para realizar a função à qual aquela raça foi criada (ou competir em provas de trabalho).

Infelizmente não é possível ter tudo junto, quando se quer ter tudo (podemos comparar com gado de dupla função), podemos até conseguir ter o cão que é bom em ambos quesitos, mas jamais será excelente nos dois, e muitas vezes a estrutura que se busca pra vencer exposições pode até mesmo atrapalhar ou ser prejudicial ao trabalho / função (por exemplo: cães extremamente angulados, que "voam na pista" ao trotar se apresentando em exposição, geralmente são desengonçados para correr em galope e podem ter dificuldade para saltar, isso pode ser notado facilmente na raça Pastor Alemão).

Em geral os cães de linha de trabalho não são tão bonitos, mas a beleza deles está exatamente na aptidão ao trabalho, por isso que quando queremos mostrar o melhor dos nossos cães de trabalho, mostramos vídeos. Determinação, impacto, tenacidade... tudo isso exige movimento, ação, ou nossos olhos podem ser enganados. É por isso que cães de trabalho geralmente não têm tantas fotos "em pose", mas sim fotos variadas 'em ação', e que o desejo maior dos apreciadores desses cães é por vídeos do que por fotos.

Fotos servem principalmente para ver estrutura, e por isso os cães de exposição são muito mais mostrados sempre com fotos e poses dignas de capa de revista. O melhor deles é sua beleza, e por isso o "desejo" maior dos seus apreciadores é por fotos em "stay".


Transcrevo abaixo, com alguns ajustes, textos que escrevi já faz mais de dois anos (em 14/Jan/2014), durante uma discussão em rede social. Falo basicamente o que eu penso mas creio que explica um pouco melhor sobre o que é criar com foco em temperamento:

Eu me preocupo com cães dentro do padrão, inclusive em relação ao temperamento. O que poucos sabem é como se avaliam esses adjetivos usados pra descrever o temperamento no padrão, tanto que escrevi um texto especificamente pra falar disso (http://doberman.com.br/site/t_temper.html).
Achar que temperamento se resume a drive (ou que quem treina acha que se resume a drive) é coisa de quem não sabe avaliar temperamento e nem para que servem as provas de trabalho, muito menos o que está embutido na execução de cada exercício. Não é só o morder, é como morde e por que aquele exemplar morde daquela forma. Não é só o correr, é como corre, em qual velocidade, e principalmente o que isso significa. O significado da forma de executar cada etapa é que fala sobre o temperamento, não o fato de executar ou não.
A descrição do temperamento se resume a um parágrafo do padrão, mas simboliza 50% de um cão de verdade. E falta saber enxergar o que as palavras contidas ali significam, pra então entender a importância delas.

Outra questão interessante é que há diversos cães com características que fogem do padrão, vencendo exposições, e consequentemente essas características passam a ser encaradas como o "correto" para quem participa. Vejo olhos incorretos, e peitos, e pescoços.... mas temos que lembrar que um arbitro julga o conjunto e o compara com os demais ali presentes e não só com o padrão, para poder premiar, e ainda assim, um toque de gosto pessoal sempre está envolvido, portanto também não dá pra crucificar os envolvidos. Mas, com isso, caímos na armadilha de não saber mais apreciar o correto de verdade, ou o quase correto que seja.

Eu já fui da opinião "se eu posso ter um cão bonito e de excelente temperamento, pra que vou querer um feio?", quando conheci a aparência em geral dos cães de linha de sangue de trabalho (portanto não conheci o melhor deles), enquanto só tinha contato com cães de linhagens show (que eu considerava terem "excelente temperamento" dentro do meu limitado conhecimento e referências).
Depois de entender a (enorme) diferença de temperamento entre eles, eu passei a ver menos beleza em cães "apenas belos". Percebi como minha percepção e opinião haviam mudado em um momento específico, quando assisti um vídeo. Explico: havia um cão que eu achava maravilhoso, muito mesmo, era fã dele, o achava o máximo, até que encontrei um video dele em ação (em prova de IPO, na qual ele foi aprovado, pois obteve pontuação suficiente para tal). Simplesmente perdeu o encanto mesmo com toda aquela beleza... ele executava de forma tão "meia-boca", que foi uma decepção enorme pra mim. Mas foi também um aprendizado e "divisor de águas", ali eu descobri que um temperamento mediano-fraco torna o cão "mais feio" pra mim, sendo ele belíssimo de estrutura ou não.

As raças foram criadas e desenvolvidas conforme suas funções, portanto se um cão cumpre excelentemente bem sua função, ele tem estrutura apropriada. Ponto final!
É mais fácil do que vocês imaginam ver cães que alguns chamam de "estruturalmente corretos" com problemas pra trabalhar (se considerar falta de aptidão mental / de temperamento, pior ainda). Isso porque o padrão que vence exposição, ou que tem mais chances de, não é mais aquele descrito no padrão... 

Eu só falei tudo isso para que saibam que o fato de eu gostar de cães de trabalho (e de linhagem de trabalho) não ocorre porque sou cega ou trouxa (sei que ninguém falou isso, mas vai que pensou? hehehe). Eu gosto e já ha algum tempo os prefiro por motivos muito bem fundamentados, e sei muito bem o quão "feios" eles são frente aos demais. Mas eles são maravilhosos na sua essência, e só quem treina e convive com um cão de bom temperamento e grande aptidão para o trabalho entende isso.

E termino por aqui. Se você teve paciência de ler tudo, me conte o que achou :)
Um grande abraço e boa semana!

domingo, 13 de março de 2016

Linhagem de trabalho e linhagem de exposição: quão significantes podem ser as diferenças entre elas?

Mais cedo eu estava aqui, limpando a casa, sem saber o que postar no blog essa semana. Recebi ótimas sugestões mas são temas mais "trabalhosos" e esses eu deixo pra quando tiver mais tempo (e inspiração), que não é o caso de hoje nem dos últimos dias. Almocei e vim ao computador pra descansar um pouco do trabalho braçal quando... tcharam!!! Eis que surge no meu feed do facebook um compartilhamento de um trabalho muitíssimo interessante, tema mais do que oportuno para falar sobre:

Fadel, F. R. et al. Differences in Trait Impulsivity Indicate Diversification of Dog Breeds into Working and Show Lines. Sci. Rep. 6, 22162; doi: 10.1038/srep22162 (2016).

O trabalho pode ser acessado nesse link: http://www.nature.com/articles/srep22162

Pra resumir, vou citar trechos que achei mais relevantes (ao final transcrevi os trechos em inglês):

O estudo avaliou diferenças comportamentais entre linhagens show (de exposição) e de trabalho nas raças Border Collie e Labrador. Ele conclui que as diferenças entre raças são menores do que as diferenças entre linhagens, portanto as diferenças DENTRO da mesma raça são maiores do que as diferenças entre as duas raças. Sendo assim, generalizações baseadas na raça apenas não são apropriadas.

Em relação à linhagem, Border Collies de trabalho apresentaram diferenças de Labradores de trabalho, mas as linhagens show (exposição) das duas raças não tiveram diferenças significativas. Seleção artificial alterada ou relaxada para características comportamentais, quando a aparência ao invés do comportamento torna-se o foco principal para os criadores, pode reduzir diferenças médias de impulsividade entre raças nas linhagens show (de exposição).

Os resultados são consistentes com a hipótese de que a criação de linhagem show (exposição) resulta em uma perda significante da diversidade comportamental tradicionalmente associada a uma raça [...].

É inapropriado fazer previsões sobre a tendência comportamental de um indivíduo canino baseando-se apenas em sua raça.


Os resultados sugerem que, no quesito comportamento, escolher a certa LINHAGEM / LINHA DE SANGUE dentro de determinada raça pode ser mais importante do que escolher apenas pela raça.


Embora o estudo tenha sido feito com as raças Border Collie e Labrador, quem (como eu) já conviveu com exemplares de linhagem de trabalho e de linhagem show, sabe que tudo isso faz muito sentido. E é por isso que a MINHA ESCOLHA hoje é linhagem de trabalho.

Muita gente, ao procurar exemplares de determinada raça, pesquisa apenas preço e/ou aparência (maior, mais fortão, mais escuro), dando pouco ou até nenhum valor pro comportamento/temperamento.

A grande maioria dos criadores, por sua vez, descreve seus cães como possuidores de "excelente temperamento". Excelente pra que? Excelente pra quem?

Não foram poucos os que nos procuraram decepcionados com o temperamento de exemplar adquirido de outro canil. Esses normalmente chegam querendo o filhote de temperamento mais forte... só que nossa seleção é focada em temperamento e criamos exclusivamente com linhas de trabalho, completamente diferente da seleção feita e linhagem usada pela maioria dos criadores. Então nossos filhotes mais "fracos" muitas vezes se mostram muito melhores no quesito comportamento/temperamento do que o dito "melhor" (de temperamento) de outra criação, claro, quando o objetivo do proprietário inclui habilidade para o trabalho.

Como bem cita o estudo que originou essa postagem, as diferenças entre o temperamento/comportamento de cães de linhagens de trabalho e show da mesma raça são muito grandes, parecem mesmo raças diferentes.

Cão perfeito em todos os quesitos e pra todos os gostos NÃO EXISTE. Existe sim, cão perfeito pra determinado dono ou determinada função/finalidade. O que o criador x considera perfeito pra ele, pode ser interessante mas não ideal na opinião do criador y, mas péssimo pra mim, e vice-versa.

Por isso é muito importante pesquisar e principalmente saber o que você procura. Quem sabe o que procura não se baseia apenas em opiniões, mas consegue distinguir o que procura e o que não procura com os próprios olhos. Até porque opinião é algo muito pessoal. Cada pessoa tem uma opinião e entendimento das coisas conforme as experiências já vividas. Formamos nossas opiniões e fazemos escolhas baseadas basicamente nas nossas referências, referências essas que dependem das experiências vividas e da forma como foram assimiladas. Nem todo mundo (na verdade acho que quase ninguém) consegue adquirir boas referências e olho crítico "de longe", apenas assistindo a vídeos e lendo textos (ahhh os teóricos... hahaha). Sem praticar, sem acompanhar de muito perto, sem sentir na pele, é impossível aprender certas coisas --- e conheço gente que nem assim consegue "captar a informação". Desconfie de quem opina sobre algo que nunca fez, talvez essa pessoa nem saiba exatamente do que você está falando (mas se você também não souber, complica né?) ou de quem opina sobre o que nunca teve (soube de vários casos em que falaram mal de cães de linhagem de trabalho, pessoas que nunca conheceram um sequer, quem dirá um número decente pra se formar opinião....).

Tenha ciência de que não é simplesmente por ser um Dobermann (ou qualquer outra raça "de guarda"), que será um bom cão de guarda. Além da escolha (é preciso avaliar cada indivíduo pois, na prática, generalizações não são confiáveis) e do manejo adequados, a genética (linhagem) tem papel muito importante no que se refere ao potencial do indivíduo.

Enfim, esse era o recado que eu queria dar.
Até semana que vem!

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"We found that differences between the breeds Border Collies and Labrador Retrievers are smaller than the differences between their show and work lines. Although the statistically significant differences were based on small effect sizes, the fact that the differences WITHIN breeds exceed the differences BETWEEN breed is important given practical and legal implications of breed stereotyping. Our results show that generalizations based on breed are not appropriate."

"Regarding line, working Collies differed from working Labradors, but show lines from the two breeds were not significantly different. Altered or relaxed artificial selection for behavioural traits when appearance rather than behaviour become the primary focus for breeders may reduce average differences in impulsivity between breeds in show lines."

"These results are therefore consistent with the hypothesis that the creation of a show line results in a significant loss in behavioural diversity traditionally associated with a particular breed with regards to work related behaviour."

"is inappropriate to make predictions about an individual dog’s behavioural tendency solely based on its breed"

"Our results suggest that choosing the right line of dog within a breed may often be a more important factor when considering behaviour."

Fadel, F. R. et al. Differences in Trait Impulsivity Indicate Diversification of Dog Breeds into Working and Show Lines. Sci. Rep. 6, 22162; doi: 10.1038/srep22162 (2016).

http://www.nature.com/articles/srep22162

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segunda-feira, 7 de março de 2016

Kefir - o que é e como fazer

Quaaase fico sem postar essa semana! Ando exausta, mas pra não falhar aqui no Blog decidi apresentar o Kefir pra quem não conhece.

Kefir de leite é uma colônia de bactérias e leveduras do bem, que fermentam leite, produzindo um super alimento probiótico (tipo um iogurte).

Em geral chama-se de Kefir tanto os próprios grãos, quanto o leite fermentado por eles, mas pra não confundir aqui, irei chamar os grãos de "Kefir" e o leite fermentado pelos grãos de "leite kefirado".

Segue o passo-a-passo de como cuidar / fazer:

Foto 1 - Grãos de Kefir na peneira, assim lindos porque tinha acabado de lava-los em água filtrada, especialmente pra fotografar. Quando o leite kefirado está ficando ácido demais, lavar os grãos pode ajudar (ou então diminua a quantidade grãos em relação ao leite, ou deixe menos tempo fermentando), mas atenção: lavá-los com frequência não é indicado e pode até matá-los.


Foto 2 - Coloque os grãos de Kefir em um pote ou copo, conforme a quantidade de leite kefirado que deseja fazer. A medida pra fermentar em 24 horas é de aproximadamente uma colher de sopa de grãos para 500ml de leite, ou uma colher de chá de grãos para um copo de leite, mas isso pode variar dependendo do clima / temperatura ambiente. Se quiser fermentar em menos tempo, coloque mais grãos pra menos leite.


Fotos 3 e 4 - Adicione o leite (uso integral) aos grãos de Kefir. Nas fotos, coloquei 1 litro de leite com 2 colheres de sopa de grãos de Kefir.



Foto 5 - Fecho o pote com tampa plástica (se fizer em copo tampe com um pano, mas jamais deixe aberto) e deixo em cima da geladeira. O Kefir gosta de temperatura ambiente, com calor demais (leite morno ou quente) ele morre, e com frio demais (geladeira, congelador) ele "adormece".


Foto 6 - Passadas 24 horas, temos o leite kefirado, isto é, o leite fermentado pelos grãos de Kefir!


Foto 7 - Mostando a consistência... sempre mexa antes de coar, facilita muito.


Foto 8 - Coloque na peneira e coe os grãos de Kefir.


Foto 9 - Separando os grãos de Kefir do leite kefirado, que é o leite após fermentação.


Foto 10 - Grãos de Kefir coados, prontos pra voltar ao pote e fermentar mais leite!


Foto 11 - Grãos de volta ao pote, agora é só adicionar o leite novamente.
Eu não lavo o pote todos os dias, faço 3 a 4 trocas sem ficar lavando o pote, numa boa.


Foto 12 - Leite com grãos de Kefir no pote fechado. Mais 24h e o ciclo se repete.


Foto 13 - Esse é o Leite Kefirado, o que foi coado dos grãos. Guarde na geladeira pra consumir depois, ou consuma logo após coar. É saudável pra nós e também para cães e gatos! É super nutritivo e faz muito bem pra flora intestinal. Meus cães ganham leite kefirado no mínimo 3x por semana.


Foto 14 - Mas e quando você já tem muito Kefir e quer dar uma pausa na produção? Ou quando sabe que terá dias corridos e não vai ter tempo pro Kefir? É só guardar na geladeira!!! 
Depois de coar, coloque os grãos em um recipiente limpo...

Foto 15 - ... cubra com leite o suficiente pra cobrir os grãos (e assim mantê-los hidratados).


Foto 16 - E coloque na geladeira! Se quiser fazer uma pausa mais longa do que alguns dias, basta CONGELAR, que os grãos se mantêm firmes e fortes por meses a fio.


Foto 17 - Essa é forma como eu dôo grãos de Kefir.
Aos poucos os grãos vão crescendo, se multiplicando, e se não aumentar a quantidade de leite, vai fermentar o leite cada vez mais rápido, então, assim que chegar na quantidade que você deseja fazer de leite kefirado (1 copo/dia, 1 litro/dia...), o que fazemos é separar o excesso de grãos pra doar aos amigos! Kefir NÃO SE VENDE! Coloco 2 colheres de chá de grãos em saquinho zip-lock e congelo.
Pra se ter ideia, comecei a "cultivar" Kefir em Dezembro de 2014 com menos de 1 colher de chá de grãos, e hoje tenho grãos pra doar sempre.


Foto 18 - Sugestão: leite kefirado com granola, pra consumo humano. Pode consumir de vários jeitos, é como um iogurte, mas com função probiótica muito melhor!!! Batido com frutas, apenas com açúcar, enfim.... ele puro tem sabor azedinho-ácido, tipo coalhada, mas açúcar ou qualquer coisa açucarada disfarça super bem!



E é isso! Quem for de São Paulo e quiser "adotar" grãos de Kefir, é só me escrever e vir buscar!


Pra quem tiver quaisquer dúvidas extra sobre o Kefir, pode me perguntar, mas recomendo muito dar uma olhada no blog Kefir Alimento Probiótico, é excelente e recheado de informações:

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Puppy Culture

Hoje a filhotada aqui está com idades muito legais, embora dando bem mais trabalho: os mais velhos estão completando 37 dias de vida e os mais novos estão completando hoje 3 semanas ou 21 dias de vida.

No ano passado, ao ler o excelente artigo Fading Puppy Syndrome de Jane Killion, descobri o Puppy Culture. Curiosa e empolgada com os relatos de outros criadores de todo o mundo, adquiri o filme no início desse ano para me preparar antes de chegarem as ninhadas. Com a alta do dólar, o filme custou bem caro, mas ele vale cada centavo!!! Pra quem tiver interesse, saiba que entender inglês é imprescindível, já que o filme não tem legenda e é todinho em inglês. A boa notícia é que tendo o nível básico de inglês já é suficiente, pois a pronúncia é bem clara.

Puppy Culture é um filme (muito bem) elaborado por Jane Killion, americana, treinadora e criadora de Bull Terrier. O filme descreve e explica diversos fatores envolvidos em todas as fases de desenvolvimento do filhote, desde a gestação, e propõe um protocolo fantástico de manejo para cada uma dessas fases, com maior ênfase na fase crucial de sociabilização, que começa quando os filhotes começam a ouvir (geralmente perto de 21 dias de vida) e termina por volta da 12ª semana de vida. 

Parte do que o filme propõe eu já fazia (como por exemplo produzir diferentes e inesperados barulhos tão logo começam a ouvir), mas tem muito mais.
Eu estou absolutamente encantada com os resultados que venho tendo com meus filhotes.
Em alguns dias de condicionamento, com 35 dias de vida eles já sabiam que deveriam sentar, e não pular em mim, para ganhar atenção. Eu sinceramente não sabia que era possível modelar o comportamento de filhotes de apenas 4 semanas de vida.
Recomendo muito para qualquer pessoa que tenha que lidar com filhotes de qualquer idade, pois o filme traz dicas e informações que abrangem todas as fases e podem ser aplicadas também em filhotes mais velhos, sem falar no conhecimento científico que proporciona.

Aqui está um vídeo com trechos que filmei enquanto ensinava o "manding" aos filhotes: